Dilia Fraguito Samarth

ETU MU DIETU!
ESTAMOS JUNTAS!
………………………………………………………………………..Dilia Fraguito Samarth


No momento em que se celebra mais um aniversário da Associação das Mulheres de S.Tomé e Príncipe em Portugal, desejamos na qualidade de artista visual angolana, solidarizarmo-nos com tão nobre efeméride. É uma honra para nós, termos sido convidadas para nos juntarmos á festa. As linhas que se seguem, são o nosso presente para as Mulheres de S. Tomé e Principe.


É do conhecimento geral que as Mulheres têm sido vítimas de um longo processo de exclusão do mundo da Arte, pelo que fazem apenas parte das secções da Arte Moderna, na qualidade de modelos nus. A esta questão acrescenta-se a desvalorização estético-cromática, desvalorizando as Mulheres Negras e supervalorizando as Mulheres Brancas, tidas como “Santas e Musas”. Na generalidade somos entendidas como “Um Mal sobre a Terra”


A tendência homogeneizadora difundida pela globalização, é confrontada com a afirmação de identidades, como espaços de Resistência construindo novos comportamentos e instituições. O sistema mundial do qual somos testemunhas, é herdeiro do longo e cruel sistema imperialista e tem-se mantido, porque foi capaz de ter criado cidadãos e cidadãs “bem comportados” de acordo com as lições de mestres perversos, criminosos, gananciosos e uéticos.

Audrey Lorde ajuda-nos a ter coragem quando afirma que “As mulheres devem ser sujeitos históricos da sua própria condição social. Fomos educadas para respeitar mais o medo do que a nossa necessidade de linguagem e definição, mas se esperarmos em silêncio que chegue a Coragem, o peso do Silêncio vai afogar-nos se esperarmos em silêncio”.


Desta forma precisamos ter consciência de que a Arte, sendo uma expressão tão antiga como a nossa espécie, desempenha um papel essencial para a vida da Humanidade, contribuindo para megulharmos mais profundamente na significação da Vida.


A sua mensagem pode ser “Um fazer Ver a Calamidade da vida, a fragilidade das estruturas que compõem uma certa ideia de “civilização” e com isso reflectirmos sobre o acto de ver a Crueldade e a Dor na vida dos Seres Humanos. Necessário se torna, multiplicar as plantas da educação estética no lugar de apenas, plantações de cacau, para encorajar o desenvolvimento daquilo que é individual no ser humano, em equilíbrio com a unidade orgânica do grupo social e da comunidade em que vive.


Lançamos esta semente de arte, no solo fértil da Essência do Ser-Mulher de S. Tomé e Príncipe, para que amanhã, cresçam em S. Tomé, Mulheres Artistas tão fortes e poderosas como as Flores de Porcelana e que nas galerias do Ocidente possam ser vistas as suas obras de arte, substituindo os doces chocolates das mais luxuosas montras de Bruxelas.


Setúbal, 20 de Setembro de 2020.


Voltar à exposição